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domingo, 31 de agosto de 2008

sobre o que não é

aqui jaz um texto

um texto bom, um texto rico

um texto sobre a vida

mas que a própria vida me impede de realizá-lo

pois ébrio estou

ébrio e com sono

e as horas avançadas são como um chamado a que me junte ao reino

a que me ceda gentilmente ao manto

reino e manto, estes, de orfeu.

sinto

sinto muito

sinto muito em deixá-los com o nada

mas deito-me agora sobre o travesseiro.

palavras desconexas parecem talvez ser mais verossímeis.

e a vida tem disso

tem de suas mudanças

mudanças e amadurecimentos

fatos tais que a tornam apenas mais digna do gozo

e é como diria o antigo mestre que a tudo viu

a tudo viu mas morreu infante

"mesmo um amor que não compensa é melhor que a solidão".

e eu dizia

dizia logo ali no começo

que aqui jazia um texto sobre a vida

um texto inspirado pelos ares e musas que somente o álcool traz

aqui jazia e aqui o jaz.

e este era um poema sobre aquilo que não foi

aquilo que não era

o que não é.

o que nem sei, ao menos, dizer.




nota do autor: agora, após um bom dia de sono, vejo o quão realmente bêbado estava ao escrever o que está acima. pois bem, deixo como uma óde à ebriedade. se você não o entendeu, eu tampouco.