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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

sobre pensamentos VI - vai se foder

outro dia liguei o msn e vi, no nickname de alguma guria com a qual nunca troquei mais do que cinco palavras, os dizeres "voooo ligar o rádio e vou dizerrrrrr, arrumei outro mais gostoso que vce. vai se foder". na minha transcrição, cortei alguns O's e R's que estavam sobrando, até porque eles não importam. procure também ignorar o pequeno erro de português e a linguagem de internet. a mensagem mais importante ultrapassa tais detalhes. o que importa na mensagem, não dirigida à minha pessoa, obviamente, é a parte "arrumei outro mais gostoso que você".

olha, não sei como a pessoa que deveria receber o recado reagiu, mas imagino que a maioria gritante dos homens cagariam. quero dizer, eu não me acho gostoso.
nunca pensei em ser gostoso.
caguei pra ser gostoso.
logo, não seria grande mérito terem arrumado alguém mais gostoso que eu. na verdade, acho que eu teria vantagem por tê-la comido sem ser gostoso.

esse cara, sim, que rala. coitado. não deve ser fácil ser gostoso. e quando ele deixar de ser gostoso, então? tá na merda.

porque de uma coisa eu sei, não serei gostoso nunca na minha vida - como isso aconteceria, com tanto cigarro e cerveja? - mas ainda tenho minhas vitórias esporadicamente. vitórias essas que nada têm nada a ver com meu nível de gostosura. se tivessem, é certo que logo acabariam.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

sobre pensamentos V - rádios, ondas e pavio

imaginemos, por um segundo, que o texto a seguir se trata, não de um um ser, mas de ondas.

sabe, aquelas ondas. não daquelas que ameaçam levar aos entes querido em feriados religiosos - ou não; não daquelas que ameaçam com seu tamanho a costa da tailândia, ou até mesmo aos estúpidos banhistas cariocas, com seu quebrar espumoso sobre praias repletas de placas de bombeiros que buscam alertar sobre os perigos de banhar-se em areias enganosas.

mas ondas que enganam aos olhos. enganam aos olhos e à mente, explicadas por professores de física que buscam passar aos seus alunos conhecimento necessário para que ingressem em faculdades de renome.

enfim, imaginemos, todos, ondas que se transportam pelo ar, atravessando paredes e a própria imaginação. imaginemos, por falta de opção a que imaginar, ondas de rádio.

e imaginemos um locutor que chegara, às três e meia da manhã, bêbado em sua humilde residência, citando o já esperado comercial de chinelos, tentando explicar tal situação. obviamente, pede-se ao intrépido leitor paciência para com as idas e voltas de tal autor incapacitado em sua ebriedade, esperando, agora, para que o disco do kings of leon seja finalmente baixado na internet - atitude, à qual, famigerado escritor espera e roga para que nenhum leitor repita, tendo em mente as severas leis internacionais de copyright.

imaginenos, ora, rogo para que imaginemos, respeitando todos àqueles que já tiveram imaginação suficiente para encarar um louva-deus deus, que nosso corajoso herói, pequeno em sua estatura e limitado por esta, seja um pequeno rádio.

rádio daqueles de pilha, daqueles que não carregam em sua existência grandes ambições, como a de ser ouvido, um dia, em um estádio lotado por torcedores fanáticos que buscam toda e qualquer informação por seu time do coração.

sabe? rádios pequenos, que se carregue em bolsos castigados pelo uso. rádio azul-marinhos arranhados pelo uso de anos, e invejados por aqueles mais modernos, que lêem mp3 e arquivos de computador, mas que mesmo assim não podem ser levados a qualquer lugar.

pois bem, nosso herói agora é um rádio de pilha.

e, por mais que, com os anos, ele tenha sido tentado a transmitir as partidas alvi-negras de seu dono, lutou e resistiu. pois, por mais que a natureza de um rádio transmissor seja a de passar a seu senhor as notícias e as vontades a que é submetido, este era um aparelho dos mais singulares e teimosos.

era, então, um aparelho com paixão e teimosia. um aparelho que transmitia uma única sintonia. não importava quantas ameaças sofrece, de quanto ódio fosse alvo. por anos a fio, transmitia uma única onda.

e tal onda havia ele aprendido anos antes, quando ainda era um rádio de fábrica, daqueles que não desafiam nem mesmo a garantia das grandes indústrias. havia aprendido, então, e apaixonado-se por ela, pobre coitado. pois mesmo em organismos onde reinam circuitos e eletricidade pode reinar a emoção, e este não conseguia fugir de sua realidade.

assim, por muito tempo, prendeu-se nosso herói à mesma situação, negando-se a abrir seu sinal a ondas alheias, piratas até, que pudessem contanimar, pela sua própria existência, sua realidade.

peço que imaginem, agora, que há outros que louvam tal motivação. quem nunca atravessou uma situação na qual a simples força de vontade é motivo de admiração? de certo que há aqueles que pensem que isso é bobagem, mas, e nesse caso devo ressaltar autor e aparelho eletrônico, não somos destes.

pois bem, coube um dia para que esse aparelho, seja por motivação de seu dono, perseverante em não deixar um bem defeituoso para trás, seja por razões próprias, sintonizar, enfim, em ondas quaisquer que não aquelas a que se mantinha preso por gerações.

imaginemos, agora, que tal aparelho não é, senão, um rádio, e sim e um ser humano, e que tal homo sapiens responda pela alcunha de pavio, não seu nome de batismo, mas de vivência.

e imaginenos sua alegria ao vislumbrar novas ondas. e sua liberdade com isso. pois há de se tolerar a existência daqueles que se viram presos por toda a vida. e - sei que há muitos que não podem imaginar tal situação, mas peço que meus caros leitores esforcem-se por manterem-se com as mentes abertas - a liberdade que isso propõe.

o caso é que, finalmente, pavio era verdadeiramente livre. como ser, como personagem deste absurdo conto sobre a condição humana.

livre como somente um aparelho que se vê aberto a novas sintonias, ou como este autor se vê diante das novas possibilidades de entender a si mesmo e àqueles que que têm algo a dizer em sua vida pode sentir-se.

imaginemos, acima de tudo, compreensão suficiente em vossos corações para não sentir desprezo por este autor, que disse o que tinha a dizer em tamanhas linhas e tempo.

pavio era, enfim, livre. e isso ninguém, nem mesmo este escritor que aqui vos fala, poderia tirar dele. (confessando, enfim, que o inveja. como o inveja)

ou seja: ondas não podem ser visitadas por aqueles que se mantém fechados à sua propria existência. e alegria não é conhecida por quem não se dá conta disso.

finalmente o autor pode transcrever, em palavras, sua própria liberdade.

não a sua; a de pavio. imaginemos, agora, o sorriso do autor ao digitar tais palavras. posso dizer, pois conheço a fundo o escritor, que é dos sorrisos mais sinceros que já transmitiu em vida. e em textos de pavio.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

sobre pensamentos IV - os clichês de um desabafo

recentemente, passei por uma situação de confronto direto. não fui capaz de seguir em frente, e desde então não tenho conseguido fazer as pazes comigo mesmo. tenho dito que as coisas fugiam ao meu controle, que não havia como encará-las, talvez esse seja o motivo da minha inquietação. isso pois tudo é uma grande mentira. e não posso ignorar o fato de que não há mentira pior do que as que contamos para nós mesmos.

com isso, venho aqui pedir perdão por este texto, que deve fugir do padrão e do conceito estabelecido desde o começo deste meu "projeto". assim será, porque esta é a primeira publicação muito mais voltada para mim mesmo, para minha paz interior, do que para os leitores. assim, minhas mais sinceras desculpas.

tenho minha história, como todos vocês. sempre evitei tratá-la como algo a ser divulgado ou contado neste blog, mas creio que não há como dar fundamento a tudo o que será dito sem que antigos fantasmas sejam trazidos à tona, licença seja dada ao clichê.

o caso é que eu posso ver, talvez verdadeiramente pela primeira vez, o quanto mudei nestes últimos meses, e o quanto eu venho lutado para que isso não acontecesse. tenho lutado tanto que até minto para mim mesmo, muitas vezes.

sabem, não sou tão velho assim, nem ao menos saí da adolescência, mas já há momentos do meu passado que olho com certo saudosismo. sei o quanto isso não é saudável em alguém que nem entrou na casa dos vinte anos, mas não consigo evitar.

tive uma infância comum, cheia de desenhos, brincadeiras, correrias e amores. no entanto, há parte desse passado que não deixo ficar tão transparente para quem me conhece, um lado que eu preferia que nem soubessem.

e é esse meu lado que fica martelando minha mente desde o confronto citado no início deste relato. nunca fui alguém de ignorar um embate. cacete, nunca fui alguém nem de deixar passar uma boa briga, e tenho as cicatrizes para provar. talvez não cicatrizes no termo literal, mas meu corpo certamente exibe as marcas de um passado do qual, vendo agora, não me pertence mais. em contrapartida, não posso dizer que sinto vergonha.

mas confesso que, desta vez, fiquei com o orgulho ferido. e, pra piorar, por motivos opostos: primeiro porque me sinto covarde por ter deixado passar a situação de cabeça baixa. segundo porque não deveria me sentir assim. não é covardia renegar um passado que seja infantil e imaturo. na verdade, vejo agora o quanto alguém tem de se orgulhar em perceber que cresceu, que a vida finalmente atingiu certo propósito.

talvez isso seja tudo resultado do meu aniversário que se aproxima. talvez seja apenas besteira criada por uma insônia. ou talvez seja tudo verdade.

de qualquer forma, obrigado. escrever tudo isso me ajudou a colocar as idéias no lugar, embora possa não parecer.

às vezes é bom se lembrar com saudosismo do passado, não me envergonho das coisas que fiz. até fico feliz em lembrá-las. mas tenho ainda mais orgulho em saber que elas ficaram para trás, e que eu tenho toda uma vida com novos atos e atitudes pela frente, licença seja dada ao clichê.

terça-feira, 10 de junho de 2008

sobre pensamentos III - notas de um policial rodoviário


07:52 - rodovia presidente dutra, km 157. são paulo, 10 de junho de 2008.
morreu na contramão para me encher o saco.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

sobre pensamentos II - os malditos

às vezes, dá a louca na Natureza e ela acha por bem criar irmãos sem qualquer laço genético. felizmente, a Amizade se encarrega deles.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

sobre pensamentos I - a trilha

e, como nada é pra sempre, seguimos no ritmo alucinante de quem tem um pneu furado.