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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

sobre o que vamos fazer

vamos fingir que estamos em algum outro lugar; um pasto verde em algum país distante da europa mediterrânea, ou sobre as colinas geladas que cobrem territórios sagrados na china imperial.

vamos fingir que somos dois, você e eu, e que não há mais ninguém a ser lembrado sobre a face da Terra.

vamos fingir que existe, em algum lugar, um espaço em que realmente possamos fingir tudo isso.

vamos fingir que seus sentimentos são reais. vamos fingir que não estás fingindo sentir tudo isso que deveras não sente. vamos, os dois, nos fazer de tontos e fingir que a atuação não existe.

vamos fingir que eu não sei disso. vamos fingir que vale a pena se arriscar novamente, pular sobre uma superfície tão distante. vamos fingir que eu ligo, que não penso que talvez seja melhor navegar sobre águas mais tranquilas.

enfim, vamos fingir que o resultado compensa o risco.

vamos fingir que não são tão somente palavras lidas aqui. vamos fingir que o que se lê é real. vamos, podemos. quem sabe assim possamos viver plenamente o que, até agora, apenas se fingiu ser.

domingo, 26 de agosto de 2007

sobre um manifesto acovardado

nada como um dia após o outro, um dia de cada vez.
clichês, mas, nem por isso, menos verdades.
o importante é ligar-se ao presente, viver agora o agora. tem-se a infeliz mania de se manter preso por correntes, não do passado, que já foi há tanto tempo que vive apenas por intermeio de memórias, mas do futuro.
sim, vive-se acorrentado por lembranças de coisas que poderiam acontecer, que iriam acontecer, que ainda nem aconteceram.
oras, mas a vida não é exata. o tempo é inconstante. o amanhã não chegará nunca. por que perder tempo com tais coisas? por que se preocupar com o destino se o que realmente importa é a viagem??
digo que feliz é aquele que se lembra do hoje, que se preocupa em ser feliz neste instante. este sim conhecerá a felicidade eterna. a tristeza e a agonia vêm apenas de nossas preocupações, de nossos arrependimentos, de nossas mágoas. aquele que não der atenção a tais coisas merece aplausos.
merece, como merece. aqui falo, como se fosse a coisa mais fácil do mundo simplesmente não se preocupar. não se enganem. este que vos fala não se ilude de tal forma. sei que ainda carrego mais bagagem que muitos e que anseio muito pela chegada, enfim, ao meu destino final.
mas não é por isso que deixarei de aproveitar a paisagem que passa tão velozmente pela janela. aproveito cada segundo, cada detalhe, cada maravilha dos borrões em alta velocidade em minha vida.
vai que, um dia, tomo coragem e jogo minha mala de lembranças para fora?
não sei se um dia terei colhões suficientes para tal. agarro-me apenas à alegria que é realmente desejar subir ao teto deste veículo e, abrindo os braços ao vento contrário tão forte que me desestabiliza, gritar:
- PÁRA ESSA MERDA QUE EU QUERO ANDAR!
sim, um dia de cada vez, um dia após o outro, andando até o fim.
por ora, na segurança das acomodações da minha poltrona, deixo o trem seguir, acovardado.
mas aplaudo. ah, aplaudo.